O
governo de Pernambuco será denunciado a organismos internacionais, como
as Organizações das Nações Unidas (ONU) e dos Estados Americanos (OEA),
por desrespeitar direitos humanos que protegem a vida e a saúde. A
decisão é das entidades médicas, que acusam a atual gestão de omissão
frente ao colapso de atendimento nos principais hospitais públicos.
Também
devem mover uma ação civil na Justiça local, com apoio da Ordem dos
Advogados do Brasil (OAB), que intermediou em agosto do ano passado
acordo que os médicos dizem não estar sendo cumprido pela Secretaria de
Saúde.
“Não
existe democracia sem dignidade humana. A responsabilidade com a saúde
é também do governo federal e das prefeituras, mas o Estado tem sua
parte a cumprir”, afirmou Carlos Vital, presidente do Conselho Regional
de Medicina (Cremepe). A opção de recorrer às autoridades externas
deve-se ao descrédito nas soluções internas. “O governo tem investido
na economia, mas nada tem feito pelo social”, afirma Antônio Jordão,
presidente do Sindicato dos Médicos.
Se
até o dia 10 o Estado não atender às reivindicações, há risco de greve
ou pedido de exoneração em massa. Médicos querem salário-base de R$
3.400 (hoje é de R$ 1.900) e que todos plantonistas ganhem igual aos
neurocirurgiões: R$ 5 mil líquidos. “É irregular a diferença salarial”,
argumenta André Longo, vice-presidente do Cremepe.
Antes
de coletiva à imprensa, representantes do sindicato e do Cremepe
visitaram três emergências e constataram o que chamam de calamidade
pública. “No Hospital da Restauração havia 20 pessoas aguardando
tratamento intensivo. Encontramos 200 leitos improvisados na
emergência, em maca, cadeiras e lençol no chão”, contou Antônio Jordão.
Mário
Jorge, da Sociedade de Ortopedia, disse que entre as pessoas à espera
de cirurgia no HR, há crianças e idosos. “Uma paciente de 89 anos, com
fratura de fêmur, espera há 20 dias pela operação. Idosos não podem
passar muito tempo acamados, correm risco de morrer.” Por essas
situações, disse, é que ortopedistas têm pedido demissão.
“A
situação é terrível no Getúlio Vargas. No corredor não passa carro com
comida e de tão cheio o espaço a enfermagem tem dificuldade para chegar
aos doentes”, descreveu Longo. Segundo ele, havia 100 doentes a mais do
que o espaço comporta, falta de médicos, de enfermeiros e auxiliares.
“Estamos vivendo extrema gravidade.”
Segundo
ele, apenas um dos 12 itens do acordo firmado pelo governo foi cumprido
e outros dois precisam ser confirmados. “O concurso deveria ter sido
feito no ano passado”, acrescentou Jordão. Segundo ele, parte dos seis
mil médicos em atuação na rede tem contrato provisório. Para Longo, há
um desgoverno em recursos humanos quando o Estado dá tratamento
diferenciado às especialidades médicas pagando a mais aos
neurocirurgiões.
De Cidades/JC