Depois de uma manifestação dos catadores de lixo na manhã desta quarta-feira (1º), a Prefeitura do Recife anunciou nesta tarde que o lixo da cidade vai continuar sendo depositado no aterro da Muribeca, em Jaboatão dos Guararapes.
Os catadores que vivem da reciclagem estavam receosos de que o lixo do Recife fosse levado para a Central de Tratamento de Resíduos Candeias, um aterro sanitário de uma empresa privada que fica ao lado do aterro da Muribeca. Lá não existem catadores e o lixo é enterrado e envolvido por um material plástico. Um processo para não contaminar o solo.
“Antes do resíduo passar para a empresa privada, que a gente faça a coleta seletiva tire todo material que possa a ser reciclado por a gente”, disse o presidente da Associação dos Recicladores da Muribeca, Adauto José da Cruz.
O anúncio sobre a continuidade do depósito do lixo do Recife no aterro da Muribeca foi feito pelo vice-prefeito Milton Coelho, na presença da secretária executiva da Secretaria Estadual das Cidades, Ana Suassuna. Eles explicaram que a construção do novo aterro sanitário ainda vai demorar três meses para ser concluído.
A obra está suspensa desde março por conta de um decreto da Prefeitura de Jaboatão dos Guararapes, que impediu o novo depósito de lixo no município. Só agora, a Prefeitura do Recife entrou com um pedido de liminar contra o decreto do município vizinho. A liminar concedida pela Justiça autoriza as prefeituras a depositar o lixo no antigo lixão da Muribeca, até que o novo aterro seja concluído.
A liminar aumenta o prazo dado pelo termo de ajustamento de conduta elaborado pelo Ministério Público que previa para esta quarta-feira o encerramento das atividades no antigo lixão.
De acordo com a Secretaria das Cidades, com o novo prazo, será possível reunir os 14 municípios da Região Metropolitana em um consórcio para administrar o processo de separação do lixo reciclável.
Durante a coletiva, o vice-prefeito do Recife afirmou que uma parte dos catadores de lixo será aproveitada para trabalhar no processo de separação do lixo. “É um empreendimento público com a participação dos catadores, mas organizados em cooperativas para que possam agregar valor ao lixo, ter um rendimento muito maior e melhores condições de trabalho do que eles dispõe atualmente”, disse Milton Coelho. |